Palavra de mulher, o blog

... vou chegar a qualquer hora ao meu lugar...






Sexta-feira, Fevereiro 10, 2006


2006

Prometo me dedicar mais ao blog. Palavra de mulher. :)

por marcella c. em 12:55 PM |

Sexta-feira, Dezembro 30, 2005


Adeus, 2005

I already know the path i'm walking
in the end I'll come to nothing
every step I know by heart
I already know the stones I'll trip on
as I go on, knowing, standing
here alone I'll fall apart
What can I do against the magic
of this love I fear so much
deny so much
and even such is always back
and I am moved
by the same old story
same sad figures
that like sad and old pale pictures
black on white I'm sure to wound

here I go again
foolish again
to search the hopeless dream
i'm trapped to and untired to repeat
new days, sad days
new, sad nights awaken
letters, poems, oh my dearest
yes I still wish we could meet
but just to say this is a sin
and I have had enough of grief
by the memories of love
and I know you know why I part
my collection now has a new sonet
a new picture with you on it
being mean to this old heart

*Retrato em branco e preto
[Letra e música de Chico Buarque, versão em inglês por Alessandra Maestrini]

por marcella c. em 1:27 PM |

Quinta-feira, Novembro 24, 2005


Eu quero, eu quero!

"Adoro pizza com guaraná"



"Daqui a pouco TV Temas, o único show com legendas em inglês para os moradores da Barra da Tijuca", dizia uma voz em off chamando para a apresentação do grupo Na rede pelo lado de fora durante o lançamento do "Jogo do almanaque anos 80", anteontem, no Armazém Digital. O grupo, cujo destaque era o ator Leandro Muniz, vestido de He-Man, com direito a sunguinha vermelha e peruca loura, arrancou gargalhadas da platéia com as performances e as músicas de comerciais e de desenhos que fizeram sucesso na década de 80.

No começo do show uma brincadeira no telão exibia imagens do ator Denzel Washington ¿imitando¿ o sinistro traficante do filme "Cidade de Deus": "Dadinho é o %$@!, meu nome é Zé Pequeno!" A tal voz em off continuava: "Este espetáculo gostaria de ser patrocinado por Coca-Cola, Microsoft, Globo.com, McDonald's, Shell, Kalil M. Gebara..., mas não rolou."

O pot-pourri dos comerciais foi o momento que teve maior participação da platéia que, em coro, deliciava-se lembrando das letras de clássicos como o jingle do Cremogema ("Cre, cremo, cremo, cremogema/ É a coisa mais gostosa desse mundo/ Eu esqueço a boneca/ Eu esqueço a minha bola..."), passando pelo das Casas Pernambucanas ("Não adianta bater, eu não deixo você entrar") até a versão rockabilly do Guaraná Antarctica ("Como é bom te ver, você chegou na hora H/ Adoro pizza com guaranáááá").

No palco, o cantor Maurício Rizzo, um dos autores do espetáculo, vendia uma boneca Barbie: "Esta é a bonequinha Prenha. Ela vem com os seios inchados, exame pré-natal e quando você aperta nas costas ela diz quem é o pai. São três modelos: Angélica, Feiticeira e Camila Morgado."



O bloco infantil trouxe Bozo, com os atores cantando com nariz de palhaço a famosa "Alô, criançada/ O Bozo chegou/ (..) cantem comigo Lá, lá, lá, lá, lá." Depois de viver He-Man no palco, o ator Leandro Muniz se vestiu de criança para acompanhar as receitas de brinquedos monte-você-mesmo inspiradas em Daniel Azulay ("Depois de montar uma plataforma de petróleo com potes de danoninho, hoje nós vamos fazer um helicóptero. Pegue lápis, régua, tesoura e um pneu de trator"). O bloco terminou com o coro de Ducktales: "São os caçadores de aventura úúúúú!"

O espetáculo condensado foi a principal atração do lançamento do jogo, criado pelos jornalistas Mariana Claudino e Luiz André Alzer. Na mesa de autógrafos, ao lado dos livros, gamadinhos, Dip'n'Lik, pirulitos de chocolate em forma de guarda-chuva. A vitrine da livraria trazia Fofão, as Moranguinhos, Genius, o ET, os bonecos Playmobil, a Boneca-Flor, Pogobol, os bonecos do Chaves e dos Trapalhões.

Uma outra mesa, ao lado do palco, que mais lembrava uma mesa de aniversário de criança, exibia o acervo da loja Anime Rio, que vende brinquedos antigos, como o Autorama e o jogo Detetive. O capacete de Darth Vader, o primeiro lançado no Brasil, fez sucesso com fãs e integrantes do grupo Jedicon que foi à livraria.

O coquetel foi servido por Antonio José Couto e Marcelo Valério Martins. Eles são vendedores de Mate nas praias da Barra e Ipanema, respectivamente. A dupla recebeu R$ 140 pelo serviço. "Na praia é bem melhor. Só tem um problema, a gente passa o dia vendo um monte de mulher bonita e não pode chegar perto", diz Antonio, que percorre cerca de oito quilômetros na areia fofa para alcançar a meta de 90 copos por dia a R$ 2.


por marcella c. em 11:19 AM |

Quarta-feira, Novembro 23, 2005


Fim do mistério

"Banho de loja

O shopping Rio Sul está fazendo 25 anos e vai passar por uma plástica. Quer ficar mais clean .

Uma área de contemplação com vista para o Cristo será construída na fachada, que será envidraçada.

O piso de granito será trocado por mármore e a decoração, feita por um paisagista, terá plantas e madeira.

Um elevador panorâmico vai ser instalado no lugar onde hoje funciona um caixa eletrônico do Bradesco, do lado de fora do shopping.

O estacionamento vertical no G5 dará lugar a sete salas de cinema do grupo Severiano Ribeiro.

No lugar das atuais salas de cinema, há projetos para a construção de um supermercado chique ou um teatro, antiga reivindicação dos clientes."


Ahhhhh, tá...!

por marcella c. em 2:18 PM |


Vida real III

Coluna do Zuenir Ventura hoje:

"O futuro que chegou

Na apresentação de "Terror e êxtase", de José Carlos (Carlinhos) Oliveira, que acaba de ser relançado, Aguinaldo Silva chega à conclusão de que o melhor romance sobre o Rio de Janeiro atual é esse livro, escrito há quase 30 anos. "Nossos autores de hoje fogem, como o diabo da cruz, da cidade em que vivem", afirma o criador de "Senhora do destino", lançando algumas farpas: "E preferem escrever sobre Budapeste ou a Mongólia, mesmo sem ter lá estado".

Apesar de algumas gírias datadas - "saqualé", "saca essa", "não cansa a minha beleza", "estamos conversados", "putz", "de montão" - o romance é atual pelo tema, o amor-bandido. Uma menina da Zona Sul carioca, bonita, bem-nascida, apaixona-se pelo assassino e traficante "1001", assim chamado porque só tinha na frente os dentes caninos. Tempos depois, esses personagens deixaram o livro para freqüentar as páginas dos jornais.

Curioso como um cronista tido na época como politicamente "alienado", que escreveu grande parte de sua obra bebendo na varanda de um bar, tinha a premonição de nossa tragédia social. Em uma crônica sobre "Garrincha", um jovem delinqüente, ele diz que não temos futuro para oferecer aos garotos pobres. "Só pensaremos neles daqui a 20 anos, daqui a 50 anos, quando eles forem numerosos como ratos e agressivos como ratazanas bloqueadas pelo perigo."

Como Carlinhos previu, o futuro chegou. Se é verdade que a literatura não se interessa por ele, talvez seja não por falta de sensibilidade, mas por impotência. É como se a realidade tivesse se tornado mais irreal do que a ficção pode ser. Durante a I Guerra Mundial, desesperados diante do irracionalismo que se acreditava ter chegado ao máximo, artistas europeus criaram o dadaísmo, um movimento pelo absurdo e contra uma civilização que não conseguira evitar a barbárie da guerra.

Acho que só um dadaísmo tupiniquim poderia dar conta de apreender o nosso estado de coisas. Mesmo o jornalismo foi vencido pela violência. De tanto ter que noticiá-la, somos identificados com ela. Essa semana mesmo, enquanto a Secretaria de Segurança anunciava os índices de aumento de crimes - assalto a residências e a pedestres, roubo e furto de veículos, assalto a ônibus - a governadora Rosinha Garotinho continuava afirmando que os problemas da violência no Rio são exagerados pela imprensa. É o caso de perguntar às vítimas.

Em suma, acho que há de nossa parte também um cansaço pelo esforço repetitivo. A exemplo da polícia na sua luta contra o crime, também estamos enxugando gelo."


por marcella c. em 1:23 PM |


Vida real II

Marcella postando para o ninguém e para o nada... só porque é brasileira e patati-patatá...

"Meu Deus!

O Vaticano cancelou ontem a participação da brasileira Daniela Mercury no concerto de Natal, dia 3 de dezembro, que vai celebrar a abertura do Ano Xaveriano, em honra a São Francisco Xavier, com a presença do Papa Bento XVI. O convite tinha sido feito há cinco meses.

O motivo é que a cantora ¿ que tem forte ligação com a área social da Igreja Católica na Bahia ¿ estrelou o comercial de prevenção à Aids no último carnaval. Daniela se apresentaria com artistas do mundo inteiro."


Fonte: Ancelmo Gois.

por marcella c. em 10:33 AM |

Segunda-feira, Novembro 21, 2005


Vida real

Do Ancelmo Gois de hoje:

"Salve-se quem puder

O traficante Joca, novo chefe do governo paralelo da Rocinha, baixou uma espécie de medida provisória.

Não vai dar refúgio para quem assaltar perto da maior favela do Rio. A área sob sua "proteção" vai do BarraShopping ao Humaitá. O resto é da Rosinha."


E durma-se com um barulho desses...

por marcella c. em 3:30 PM |

Sábado, Novembro 19, 2005


Avesso

Também eu saio à revelia
e procuro uma síntese nas demoras
cato obsessões com fria têmpera e digo
do coração: não soube e digo
da palavra: não digo (não posso ainda acreditar
na vida) e demito o verso como quem acena
e vivo como quem despede a raiva de ter visto


[Ana Cristina César - Psicografia]

por marcella c. em 11:53 AM |


Music and me

-We've been together for such a long time MUSIC AND ME

[Ao som de Unidade Imaginária, "A última"]


por marcella c. em 11:34 AM |

Sexta-feira, Novembro 18, 2005


Salve novembro!

Tantos eventos aguardados rolando este mês: 90 anos do Franco, 20 anos do CMAA, comemorações do aniversário da Cris no Outback e na Prelude... sem falar no showcase do início de dezembro.

Só tenho uma coisa a dizer: seja muito bem vindo, 2006!

por marcella c. em 9:00 PM |


É pra dançar!

you can dance, you can jive, having the time of your life...

Anotem nas agendas. =D

por marcella c. em 12:36 AM |

Sexta-feira, Novembro 11, 2005


Pois

- Live this life, Juliet. Did Chopin fear to satisfy the cravings of his nature, his natural desires? No, that is how he is so great. Why do you push away just that which you need -- because of convention -- Why do you dwarf your nature, spoil your life? . . . You are blind, and far worse, you are deaf to all that is worth living for.

[Katherine Mansfield]

por marcella c. em 10:38 PM |


Felicidade, sim

Começar de novo e contar comigo / Vai valer a pena ter amanhecido / Sem as tuas garras sempre tão seguras / Sem o teu fantasma, sem tua moldura / Sem tuas escoras, sem o teu domínio / Sem tuas esporas, sem o teu fascínio / Começar de novo e contar comigo / Vai valer a pena já ter te esquecido...

Pois eu vi e enxerguei. Mais até - eu soube. A certeza de que se está livre das amarras de outrem a quem se amou é poderosa, quase redentora.
E então fica o gosto amargo na garganta: como alguém foi capaz de tanto esforço para se tornar tão inverossímil e vazia? E: como é possível hoje ela não passar de uma cara (remota e bruta) num retrato?

por marcella c. em 3:38 PM |


Felicidade

Apesar dos trinta anos Bertha Young tinha ainda momentos como aquele em que desejava correr em vez de caminhar, dar passos de dança de um lado a outro da calçada, fazer rodar um arco, jogar alguma coisa para o ar e apanhá-la de novo, ou então ficar parada e rindo de... nada... nada, simplesmente rindo.

Que é que podemos fazer se temos trinta anos e, ao dobrar a esquina de nossa própria rua, somos invadidos subitamente por uma sensação de felicidade -- absoluta felicidade! -- como se tivéssemos de repente engolido um rútilo pedaço deste sol da tardinha e ele estivesse a arder em nosso peito, a despedir um chuveiro de minúsculas faíscas em todas as partículas do nosso ser, até nos dedos das mãos e dos pés?

Oh! não haverá um meio de exprimir essa sensação sem falar em "embriaguez e desordem"? Como a civilização é idiota! De que nos serve ter um corpo se somos obrigados a guardá-lo fechado num estojo como um violino raro, muito raro?

"Não, essa história de violino não é exatamente o que eu penso" -- refletiu Bertha Young, subindo a escada a correr, apalpando a bolsa à procura da chave -- que tinha esquecido, como de costume -- e sacudindo com ruído a caixa das cartas -- "Não é o que eu penso, porque -- "Obrigada, Mary" -- entrou no hall. -- "A nurse voltou?"

"Voltou, sim, senhora".

"E as frutas, vieram?".

"Vieram, sim senhora. Veio tudo".

"Traze as frutas para cá, sim? Quero arranjá-las antes de subir".

Fazia lusco-fusco na sala de jantar e estava bastante fresco. Mas mesmo assim Bertha tirou o casaco; não podia tolerar por mais tempo sua pressão; o ar frio caiu-lhe sobre os braços.

Em seu peito porém havia ainda aquela zona fulgurante e ardente -- que emitia o chuveiro de minúsculas faíscas. Era quase insuportável. Ela mal ousava respirar com medo de avivar mais o fogo com seu sopro, e no entanto respirava, profundamente... Mal se aventurava a olhar para o espelho frio -- mas olhou, e ele lhe mostrou a imagem de uma mulher radiante, de lábios trêmulos e sorridentes, com grandes olhos escuros e um ar de quem espera que aconteça alguma coisa... alguma coisa divina... que ela sabe que deve acontecer... infalivelmente.


[Katherine Mansfield em "Felicidade" - trecho]

por marcella c. em 11:40 AM |

Quarta-feira, Novembro 09, 2005


Cuma??

Coluna do Xexeo hoje:

"Lula no país das maravilhas

Ninguém pode dizer que não foi uma viagem exótica a que Bush fez ao Brasil. Para começar, comeu na Granja do Torto um churrasco de carne de Mato Grosso. Em seguida, foi posto diante de um mapa do Brasil. Mais exótico que isso, só se Bush tivesse ido acampar com os colegas de Washington em Adis-Abeba.

O mais surpreendente mesmo foi o tal mapa do Brasil diante de Bush. Parece que isso é um hábito de Lula. Ele já tinha feito o mesmo com autoridades chinesas que estiveram por aqui. Volta e meia, Lula pega um estrangeiro e mostra o mapa do Brasil para ele. Mas, diante do mapa, Bush fez a pergunta que aparentemente não quer calar: onde fica a Amazônia? É isso aí. O sujeito é o chefe da nação mais poderosa do mundo e não sabe onde fica a Amazônia. Para quem está insatisfeito com seu presidente da República, não deixa de ser um consolo. O toque de classe foi Lula apontar direitinho para Bush a localização que despertou a curiosidade do presidente americano. Em outras palavras: Lula sabe onde fica a Amazônia! Pelo que o seu governo faz pela região, nem parece."

Pois é.

por marcella c. em 3:04 PM |

Terça-feira, Novembro 08, 2005


Aproveito que sou 1/3 disso aqui para desejar um Feliz Aniversario ao meu fofinho. Hihihi :)


por Maria Eduarda Costa em 8:39 PM |


Meu cérebro reverbera

Eu falo muito palavrão - isso quem me conhece já percebeu. O que ninguém sabe, e era segredo até então, é que também internamente sou muito desbocada. Até pior: pois dentro da caixa craniana a acústica é formidável, proporcionando a meus zilhões de celulinhas e celulões momentos de raro despazer sonoro. É claro, porém, que o resto de mim vibra inteiro, em êxtase por uma carga estrondosa de estrógeno, serotonia, puta-que-pariu, foda-se e afins.

Em tempo: como que é que uma so called diretora de marketing de um importante jornal pode ser GERUNDISTA? Poupe-me, não é, minha senhora! E ainda faz cara de cocô durante a entrevista. Se não tem paciência ou capacidade de trocar uma idéia com um potencial subalterno, por favor, GET A LIFE!

por marcella c. em 2:24 PM |

Domingo, Novembro 06, 2005


Te dedico, viúva Neuta!



E olha que eu nunca aturei essa novela...!

por marcella c. em 9:02 PM |


Ainda no assunto línguas, hoje encontrei um artigo muito interessante. Eu sempre tive uma teoria de que tradução é algo impossível: por exemplo, como se fala "Cat" em português? Gato? Errado. "Cat" em português é "Cat". O que "cat" representa, aquele animal de 4 patas, rabinho, orelhinha triangular, e que mia, nós aqui chamamos de "Gato". Quando eu tentava explicar isso para as pessoas, elas me olhavam como se eu fosse meio doida (e admito, eu sou...).
Esse artigo, porém, fala exatamente sobre isso - e descreve o idioma como uma lente (achei essa metáfora fantástica) ao olhar o mundo. Por exemplo, diz o artigo, se você nascesse com lentes rosas grudadas ao olho, você acharia que o mundo é cor-de-rosa e nunca veria outras cores, ou saberia que elas existem. O mesmo com o idioma. Ao falar duas línguas, você aprende a ver o mundo de formas diferentes.
A quem interessar possa, o artigo é meio grande, mas bem interessante (eu, pelo menos, achei):
http://encarta.msn.com/encnet/features/columns/?article=secondlanguagemain
(e sim, está em inglês)


por Maria Eduarda Costa em 12:51 PM |

Sábado, Novembro 05, 2005


PIADINHA DO DIA

Como se chama quem fala 4 ou mais línguas?
Poliglota.
E três?
Trilíngue.
E duas?
Bilíngue.
E uma?
....Americano.

:)


por Maria Eduarda Costa em 4:25 PM |


Outras aprendizagens

"Nemo scit nisi accipti"
[ninguém entende enquanto não sente]

Apesar do último post irônico e niilista, juro que não descompensei completamente. Na verdade aquele desabafo estava preso na garganta há algum tempo, à espera talvez da hora certa de nascer? Porque tudo que é vivo tem sua hora certa de nascer e de morrer. Então meu grito precisou de uma gestação longa e dolorosa, mas chegou e pari-lo me fez bem. Sempre fui boa em parir coisas e é possível que continue bebendo dessa minha fonte - isto me fortifica.
O que pretendo dizer nessas mal traçadas linhas é que: sim, muitas coisas ruins aconteceram, mas também: sim, mantenho minha postura de encarar de peito aberto e não deixar nunca de acreditar que tudo vai melhorar. A beleza de ser humano é esta: a gente tem fé e luta e se rasga e se doa por inteiro só pra ver a vida ter mais cor.
Estou, conforme coloquei em meu perfil no orkut, numa alegria mansa no agora. Minha força vem de que sou demasiadamente humana. E hoje estou em paz.


"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro. Nem sei como lhe explicar minha alma. Mas o que eu queria dizer é que a gente é muito preciosa, e que é somente até um certo ponto que a gente pode desistir de si própria e se dar aos outros e às circunstâncias. Depois que uma pessoa perde o respeito a si mesma e o respeito às suas próprias necessidades - depois disso fica-se um pouco um trapo.
[...]
Mas não pude deixar de querer lhe mostrar o que pode acontecer com uma pessoa que fez pacto com todos e se esqueceu de que o nó vital de uma pessoa deve ser respeitado. Ouça: respeite a você mais do que aos outros, respeite suas exigências, respeite mesmo o que é ruim em você - pelo amor de Deus, não queira fazer de você uma pessoa perfeita - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse o único meio de viver"


[carta de Clarice Lispector a uma amiga, 1947]

[Ao som de Los Hermanos, "Deixa estar"]

por marcella c. em 11:19 AM |

Sexta-feira, Novembro 04, 2005


O que 2005 me ensinou

O ano se aproxima do fim e a não ser pelo Sandro Mabel creio que todos temos ressalvas quanto a 2005. Eu particularmente gostaria que certos meses, e algumas ocasiões em especial, fossem riscados de meu calendário retrospectivo. Já que não é possível, decidi aprender com os erros para que as merdas não se repitam no futuro - ou pelo menos o ventilador esteja desligado.
Portanto, deixem-me compartilhar da sapiência que adquiri ao longo de toda essa jornada e que me coloca assim, plena e muito mais sarcástica, ante vós, ó leitores queridos.

- aprendi que existem amigos e AMIGOS; nestes podemos confiar de olhos fechados, com aqueles contamos nas horas de festa e papo furado no msn [sim, eu precisei de 24 anos na cara para sacar isso!];
- compreendi que as pessoas são esquizofrênicas até que se prove o contrário e haverão de dizer banana quando na verdade pensaram em carambola;
- 2005 também me ensinou que as mulheres podem ser tão ou mais cafajestes do que os homens num relacionamento e, logo, esse papo sexista é balela;
- outra coisa: falta de respeito, como bem colocou Rebouças no último post, é uma doença que atinge 90% da população pensante e 70% da eqüina, então o mundo estar do jeito que está hoje é muito por conta disso. E também por falta de comunicação;
- entendi que as pessoas que dizem saber lidar com as expectativas alheias estão mentindo tão cinicamente que mereciam o troféu Zé Dirceu de canalhice humana;
- que relacionamentos não implicam anulação de uma das partes e, assim, é preciso dedicação e vontade de fazer dar certo, not to mention estar confortável dentro de si mesmo. Se alguém acha que o que sente é muito errado e ainda por cima precisa da aprovação de mamãe, vovó e terceiros, que procure um analista - e de preferência não a terapeuta da sua namorada;
- que uma pessoa pode lhe cantar descaradamente e explicitar o desejo de efetivamente ficar com você, mas a partir do momento em que a coisa sair do irreal o ventilador haverá de despejar número dois líqüido sobre a sua cabeça. E a outra parte, antes tão interessada, mesmo levando em consideração o elevado teor de sangue no álcool de ambas, fugirá como se tivesse que prestar contas a Bin Laden [e é provável que acredite com fervor que tem terroristas em casa];
- por fim, e até para não tornar mais longa esta efeméride, compreendi que a morte é só um nome: quem parte fica tatuado em nossos corações e nos ajuda a perceber que toda aquela turma que desejou, consciente ou inconscientemente, foder com nossa cabeça, não merece mais do que a indiferença.

[Ao som de Irene Cara, "What a feeling"]

por marcella c. em 12:25 PM |

Domingo, Outubro 30, 2005


Respeito, a base de tudo

Não é difícil chegar a esta conclusão, mas é impressionante como a falta disto causa desordem. Todo mundo sabe qual é o grande problema da humanidade, mas será que todo mundo sabe qual é a causa do problema? Pois eu acredito que a causa de tudo que é ruim neste mundo é simplesmente a falta de respeito das pessoas com qualquer coisa. Seja a natureza, o próximo, com si mesmo, com a família, com o país onde nasceu, tudo. O problema do mundo é a falta de respeito. Essa é a grande causa das guerras, buraco na camada de ozônio, queimadas na Amazônia, brigas no trânsito, traição, corrupção, velhinhos esquecidos nos asilos e por aí vai.

Por que isso agora? Porque eu estou cansada do desrespeito alheio, da falta de educação, compaixão, sinceridade, da falta de humanidade. Respeito é bom e eu gosto!


por cristiana em 11:02 PM |

Sábado, Outubro 29, 2005


"What are you supposed to do when the ones with all the power are hurting those with none?
Well, for starters you stand up, stand up and tell the truth"



Quando eu fui ao cinema ontem, decidi que na volta iria estrear minha participação por aqui. O que melhor do que um filme sobre mulheres para comentar no blog "Palavra de mulher". Só que ao final de "North Country" (da diretora Niki Caro, a mesma de "Encantadora de Baleia") percebi que o filme não é sobre mulheres, e sim sobre a humanidade, sobre nosso caráter, e sobre por que o mundo está como está.
O filme é baseado em uma história real, sobre o primeiro caso de assédio sexual que foi levado em classe aos tribunais. Um julgamento que mudou a história. No filme, Josie (Charlize Theron) volta para a casa de seus pais, com dois filhos, depois abandonar um marido que a violentava.
Para sustentar seus filhos, ela vai trabalhar em uma mina, para vergonha e desgosto de todos a sua volta, principalmente seu pai, que lá também trabalha. O ambiente é quase que exclusivamente masculino - a cada 30 homens, há uma mulher. As mulheres da mina são constantemente assediadas, emocionalmente torturadas, e fisicamente maltratadas - nenhuma porém tem coragem de denunciar o que acontece, com medo de perder o emprego. E é aí que a história começa: Josie vai sozinha
aos tribunais, sofrendo as consequências de seu ato, mas sem desistir de dar a ela e as outras o direito a dignidade.
O filme é muito bem feito, tem fotografia linda, e além de Charlize Theron, conta com a ótima Frances McDormand, e o sempre perfeito Woody Harrelson.
Saí do filme, porém, com um pensamento péssimo: o que eu fiz/estou fazendo para mudar o que vem ocorrendo no mundo? E no Brasil? O que todo mundo está fazendo? Quem vai ser o próximo a colar a bunda em uma cadeira para não ter que levantar?

por Maria Eduarda Costa em 12:23 PM |

Sexta-feira, Outubro 28, 2005


Passou, limpou

Primeiro o Assolan sabia dançar o Asereje [sei lá se é assim que se escreve]. Agora ele se rebola todo no Apê mala do Latino mala.
Sério: na próxima encarnação quero voltar esponja de aço.

por marcella c. em 9:39 PM |


Desejo

Eu queria ter os cabelos iguais aos da Vanessa da Mata.

por marcella c. em 9:01 PM |


O dono da voz

- I can't take my eyes of of you!

Imagem para começar bem o dia e o fim de semana :: viva a câmera da Uxu!!!

- Por favor, o que foi este homem de sainha, lápis nos olhos e batom cantando "Palavra de Mulher"? E "The Blower's Daughter", descendo o tom no refrão??? E depois recitando Drummond? DRUMMOND??? É, meu povo, Claudio Lins me fez rever alguns conceitos!!!! ahahahahahahahahaha

[ou não!]

por marcella c. em 11:34 AM |

Quinta-feira, Outubro 27, 2005


O começo

Nem acredito que estamos aqui, nós três num único blog, abrindo nossas mentes, corpo e alma para tantos verem e lerem.

Que este blog seja motivo de muito orgulho e alegrias para nós! E que venham as nossas abobrinhas ou não! :D

Pois então, blog querido, te inauguro e batizo com a música que deu origem a teu nome. Uma música tão especial para mim e para as meninas, tenho certeza. Nasça e me faça viver!

Palavra de Mulher
[Chico Buarque]

Vou voltar
Haja o que houver, eu vou voltar
Já te deixei jurando nunca mais olhar para trás
Palavra de mulher, eu vou voltar
Posso até
Sair de bar em bar, falar besteira
E me enganar
Com qualquer um deitar
A noite inteira
Eu vou te amar

Vou chegar
A qualquer hora ao meu lugar
E se uma outra pretendia um dia te roubar
Dispensa essa vadia
Eu vou voltar
Vou subir
A nossa escada, a escada, a escada, a escada
Meu amor eu, vou partir
De novo e sempre, feito viciada
Eu vou voltar

Pode ser
Que a nossa história
Seja mais uma quimera
E pode o nosso teto, a Lapa, o Rio desabar
Pode ser
Que passe o nosso tempo
Como qualquer primavera
Espera
Me espera
Eu vou voltar

por cristiana em 11:48 PM |


Primeiros passos

Que sensação estranha esta de refazer um blog. As linhas iniciais são sempre as mais complicadas.
Tentarei não me esquivar demais de mim mesma - e nessas horas só Yara salva.

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